sexta-feira, junho 30, 2006

PARREIRA E FELIPÃO: UM ESTUDO COMPARATIVO

1) Quando Felipão pegou a seleção portuguesa, a imprensa local ficou puta dentro das calças - queriam o Mourinho, que além de ter sido eleito pela FIFA o melhor técnico do mundo, é luso da gema. Só que, com o gaúcho, Portugal embolsou a melhor classificação de todos os tempos num torneio internacional proeminente - o vicecampeonato europeu em 2004. No entanto, a derrota na final para a Grécia, mesmo jogando em casa, deu nova munição aos críticos, que dispararam chumbo grosso nas vésperas da Copa - não obstante a classificação invicta do time nas Eliminatórias. O povo, todavia, esteve e está ao lado de Scolari, para o que der e vier, como escudeiros com o seu paladino. O português é, por natureza, sisudo e até carrancudo. Pois bem: Felipão incendiou a alma lusa, que anda com fogo no rabo - inebriados, extáticos, até dionisíacos! Os portugueses estão alucinados de felicidade - em quase todas as janelas (dos carros e das casas) tremula uma bandeira nacional (não raramente, escoltada por uma brasileira). Os críticos esboçam sorrisos amarelos, gaguejam e expiam o estrabismo analítico. Não que o gaúcho tenha deixado de ser teimoso como uma mula. Pelo contrário, se obstinou na convocação dos seus cardeais (como Costinha e Maniche) que vegetavam na prateleira dos seus respectivos clubes. Pois bem: ambos estão arrebentando - Maniche até já fez dois golaços. Costinha deu uma entrevista coletiva, já na Alemanha, proclamando que uma eventual saída do Felipão representaria dez passos atrás para a seleção portuguesa. No dia seguinte, em outra coletiva, Figo corrigiu-o: dez, não - vinte! Enquanto Felipão galvaniza e inflama um elenco limitado, o que Parreira faz com um plantel que inclui os jogadores mais cobiçados do planeta, a fina-flor da técnica e da eficiência? Como demonstrou a leitura labial, borra as calças diante da necessidade óbvia de substituir Emerson por Gilberto Silva. E inibe e embota o futebol de Adriano, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Juninho. (Basta lembrar que Ronaldinho Gaúcho não marca um gol pela seleção há um ano - pelo Barça, nesta mesma temporada, fez 26 em 46 jogos). Na seleção portuguesa, cada jogador está careca de saber a sua função exata no gramado. No Brasil, reina o samba do crioulo doido. Nem defendemos como em 94, nem atacamos como em 82. O escrete não espelha a mínima identidade - é um time dispersivo, espasmódico, mutante, desconexo, desconjuntado, intimidado, travado. Enquanto isso, Portugal exala convicção e vitalidade por todos os poros. O Brasil é a Branca de Neve dentro do caixão de vidro. 2) Para os apóstolos do Parreira, apenas uma pergunta: vocês gostariam de ver uma fita com os 120 minutos da final de 94? Só se forem masoquistas, do tipo que leva cilício nas cuecas.3) Admito que possa estar redondamente (com o perdão do trocadilho esférico) enganado. Afinal, até o Todo-Poderoso pisou na bola ao criar o mundo (olhem em volta). Mas, que diabo, um dos maiores prazeres do futebol é falar de futebol. 4) Pelé disse que está com «um mau pressentimento» em relação ao jogo contra aFrança. Ele já falou tanta besteira que, pela lei das probabilidades, receio que desta acerte em cheio. Sai pra lá, jacaré!!

5 Comentários:

Às sex jun 30, 09:30:00 AM , Blogger Marcelo Tescaro disse...

Prefiro ver uma fita com 120 minutos do cirque du soleil...isso sim é espetáculo! Hua!Hua!Hua!Hua!Hua! Hua!Hua!Hua!Hua!Hua!

 
Às sex jun 30, 11:09:00 AM , Blogger Sérgio Ruiz disse...

Felipão e Parreira são dois craques, os melhores técnicos que temos. Apenas os estilos são completamente diferentes. O Felipão não é um treinador tosco, como a imprensa adora retratar. Nem o Parreira tem sangue de barata.

 
Às sex jun 30, 06:42:00 PM , Blogger Paulo Nogueira disse...

O Tescaro deve ter adorado o «clássico» ArgentinaXAlemanha. Pra quem gosta de estrume foi realmente um prato cheio, só comparável ao excrementício ItáliaXUcrânia. Coprófilos de todo o mundo, uni-vos!

 
Às sex jun 30, 06:46:00 PM , Blogger Jorge Cordeiro disse...

pô, achei bons os dois jogos desta sexta. E entre o Felipão e Parreira, sou muito mais o sargentao...

 
Às sex jun 30, 07:46:00 PM , Blogger Paulo Nogueira disse...

Espero que o Pekerman seja recebido na Argentina com ovo podre. Por um lado, não põe o Messi; por outro, tira o Riquelme e bota o Cambiasso. Durante todo o primeiro tempo, a Argentina não deu um mísero chute a gol - e no segundo marcou com tento de cabeça de zagueiro em escanteio. Depois, outra vez, neca Dulcinéia - mais 30 minutos de mãos abanando. É no que dá o «pragmático» e «realista» futebol de resultados: bye, bye, Copa!

 

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